quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Miolo retira do mar o primeiro lote de espumante brasileiro envelhecido em cave submersa

A vinícola Miolo anuncia a retirada histórica do primeiro lote de um espumante brasileiro envelhecido em cave submersa. A empresa é a primeira e única do Brasil a utilizar o método.
 
A operação foi realizada no dia 12 de outubro, 12 meses após a imersão das garrafas do espumante Miolo Cuvée Brut no mar da região de Bretagne, na França. Os rótulos vão chegar aos mercados brasileiro e europeu ainda este ano, em edição especial e limitada.
 
“No Brasil e na Europa há grandes expectativas em relação à retirada das garrafas do mar. Estamos nos aproximando do final do ano, um momento expressivo para as vendas de espumantes e, sem dúvida, apreciadores e colecionadores vão querer ter em suas adegas e comemorações o primeiro produto brasileiro envelhecido em cave submersa”, comemora Adriano Miolo, superintendente do grupo.
 
Estrategicamente mergulhadas na ilha de Ouessant, na região conhecida como Baie du Stiff, as garrafas do Miolo Cuvée Tradition Brut foram mantidas em contato com as temperaturas do mar (entre 11 e 13 °C). A cave submarina cria condições ideais para o envelhecimento de vinhos: escuridão, umidade total, temperatura e pressão constante.
 
De acordo com Adriano, os efeitos da conservação dos espumantes no fundo do mar são observados em testes laboratoriais e degustações. Um rótulo submerso apresenta até 10 vezes mais compostos moleculares do que o envelhecido aos moldes tradicionais; esses compostos são responsáveis pela formação dos aromas e da complexidade da bebida. Em provas às cegas, os resultados indicam a qualidade do método: os espumantes apresentam sabor mais rico e floral, complexidade, frescor e apuradas notas de manteiga e castanha.
 
Novos lotes em 2018
 
Em 2018 será possível apreciar os resultados do envelhecimento de outro espumante Miolo em cave submersa: o Miolo Cuvée Tradition Brut Rosé, em edição ainda mais limitada. Um pequeno lote do produto repousa no mar de Bretagne desde junho deste ano e deve permanecer ali durante 12 meses. Um segundo lote do Miolo Cuvée Tradition Brut também foi submerso em junho e chega ao mercado no ano que vem.
 
Os rótulos da linha Miolo Cuvée Tradition são elaborados no Vale dos Vinhedos (RS) com uvas Chardonnay e Pinot Noir pelo Método Tradicional, com fermentação na própria garrafa; o processo é o mesmo utilizado pelas maisons francesas para a elaboração do Champagne.
 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Continuando o tour pela Serra Gaúcha IV - Vinícola Geisse, uma experiência muito além das borbulhas


Sabemos que hedonismo como teoria filosófica grega por si só não se sustenta, mas experiências hedonísticas agregam muita felicidade ao indivíduo, aqui estamos tratando de uma experiência enoturista de excelência que deve se fazer sem pressa.
 
A Vinícola Geisse fica incrustada no distrito de Pinto Bandeira a uns 40 quilômetros do centro de Bento Gonçalves e foi fundada pelo engenheiro agrônomo e enólogo Mario Geisse, chileno, em 1979, contratado para implantar projeto para a Moët & Chandon do Brasil, ele descobriu esse terroir para a produção de espumantes de qualidade. Iniciou seus trabalhos de qual seria o local mais apropriado para plantar seus vinhedos, escolhendo a região de Pinto Bandeira, mais tarde descobriu que não estava errado, solo basáltico com boa drenagem.

Foi pioneiro na região no método de produção por espaldeiras altas, com produções menores, primando pela qualidade do produto, mais exposição solar, e menos propensão a intempéres climativas da região como precipitações, granizo e ventanias que atingiam o método anterior realizado na região chamado de “latada”, voltado a produção massiva de vinhos de mesa.

Nos espumantes, foi pioneiro também em somente produzir espumantes em método tradicional ou “champenoise”. Ele dispõe basicamente quatro linhas de espumantes, o de entrada, chamado Cave Amadeu (Brut e Rosé) com 12 meses de guarda; o Cave Geisse (Nature, Brut e Rosé) com 24 meses de guarda, e os Blancs (Blanc de blanc, Blanc de Noir e Extra Brut) com 30 meses de guarda, e por fim, a linha Terroir, que seriam os espumantes top da casa, tendo o Terroir Nature e o Terroir Brut Rosé. Incansável, o produtor ainda começou a investir na produção de uma linha de tintos chamada Mario Geisse para fins de experiência, e como se trata de um chileno, nada mais pertinente do que as castas Carménere e Cabernet Sauvignon para a produção de seus varietais.


Mas a referida vinícola acertou mesmo quando, a partir da administração de um de seus filhos, resolveu investir em atividades enoturísticas distintas da tradicional visita e degustação de alguns rótulos, e passou a abrir o horizonte para brindar o turista além dos já afamados espumantes, de experiências distintas na própria vinícola.

A primeira delas é o Open Lounge, um food truck com estrutura de apoio localizado nos jardins em frente a vinícola que oferece pequenos lanches harmonizados com seus melhores espumantes, serve demais para grupos de turistas que fizeram a visita e tem interesse em desfrutar um final de tarde petiscando e bebericando borbulhantes em uma das propriedades mais bonitas da região.
 

A propriedade possui  também dentro dela uma área de preservação permanente, mais precisamente, uma mata ciliar fechada com riacho e cachoeiras, assim foi bolado um passeio 4x4 off-road com duração de 1h30min chamado de “Geisse Experience” que leva o turista a conhecer seus vinhedos e seus arredores, acompanhado de um guia que explica a história da vinícola, da propriedade e dá detalhes de forma descompromissada e descontraída de como a Geisse chegou ao nível de excelência na produção de espumantes nacionais. Existem duas paradas obrigatórias no passeio em espaços especialmente estratégicos e preparados para os brindes, o primeiro deles se dá no meio do riacho que corta a propriedade e logo acima possui um cachoeira em que provamos o Cave Geisse Brut Rosé, bem refrescante e delicado. 

Logo em seguida, seguimos no meio dos vinhedos, cruzando os parreirais e chegando a parte mais alta da propriedade em que possui um mausoléu, um heliponto e uma base de apoio para o segundo brinde que foi com o espumante mais vendido da Vinícola - o Cave Geisse Brut, sem dúvida, o espumante é muito consistente, perlagem longa, aromas de panificação, brioche, manteiga e na boca, de acidez moderada e retrogosto que repete os aromas com muito frescor e acidez no ponto ideal, perfeito para o pôr-do-sol que estava a surgir no horizonte e em meio aos vinhedos.

Grande experiência, grandes espumantes, belíssimas paisagens e a certeza de que acertaram na dose ao aliar o que a vinícola produz de melhor – seus espumantes - com o que possui de belezas naturais.

Texto de autoria de Serpa Júnior

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

One Bottle of Red 2015

Em tempos de vinhos caros, um bom custo x benefício cai muito bem. O One Bottle of Red é um vinho que cai bem naqueles dias despretensiosos e certamente vai agradar bastante a quem está começando no mundo do vinhos, justamente por ser fácil de beber e sem arestas. Não passa por madeira e mostra todo o frescor da fruta. Cor rubi com reflexo violáceo de média intensidade. Frutas vermelhas em compota, com destaque para framboesa, além de notas herbáceas lembrando pimentão. Na boca taninos macios, acidez média (+), taninos médios. Muito redondo na boca e com uma nota adocicada no retrogosto. Um vinho de bom custo x benefício.
Classificação Vinho por 2:Bom e Custo x Benefício
País: Chile
Região: Vinhedos Chilenos
Uva/Corte: Cabernet Sauvignon (87,5%) e Merlot (12,5%)
Teor alcoólico: 14,00% 
Preço: R$ 41,40 no site da Winebrands
Degustado em: 15 de setembro de 2017 
Link:One Bottle of Red 2015

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Continuando o tour pela Serra Gaúcha III - Lídio Carraro Vinícola Boutique, Casa Valduga e Miolo Wine Garden


Prosseguindo nas experiências enoturísticas de nossa última viagem a Bento Gonçalves, iniciamos o dia com uma visita a vinícola Lídio Carraro que fica ao lado da gigante Miolo.

Fomos amavelmente recebidos pela proprietária a senhora Isabel Carraro, esposa de Lídio, descendentes da família italiana da região de Trento, que nos informou sobre a filosofia dos produtos da casa, em particular de que todos os vinhos produzidos pela vinícola boutique não estagiam em barricas de carvalho, pois almejam que o vinho transpareça uma expressão verdadeira e genuína do terroir e de sua uva.

Explicou ainda que duas são as propriedades da família uma na própria sede da vinícola no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves e o resto dos vinhedos estão localizados no Município da Encruzilhada do Sul/RS. Eles produzem diversas linhas de vinho, a de entrada é chamada de Faces, que foi utilizada como símbolo da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas do Rio de 2016, mas ainda dispõe das linhas Agnus, Dádivas, Coletânea, Elos, Singular e, por fim, a linha Grande Vindima.

Dos que provamos, o único vinho que mereceu realmente destaque foi o Merlot Grande Vindima 2012, no aroma exalava intensa fruta negra e notas balsâmicas; no palato, médio corpo e boa persistência. Diria que se trata de um merlot puro sangue!!! 

Conclusão, acredito que a filosofia da vinícola é interessante, diria bastante ousada também, é preciso acreditar demais no terroir e nas respectivas safras (clima propício) e no manejo das uvas, a de 2016 foi complicada por exemplo, houve quebra de safra por razões climáticas duras. Utilizar menos leveduras orgânicas/químicas e privar seus vinhos de barricas pode ser que essas intervenções em anos difíceis ajudariam demais a correção de vinhos e a manutenção de certa qualidade dos mesmos, apenas realizando aqui uma ponderação na minha humilde opinião. Sendo assim, acho interessante que fossem elaborados talvez menos rótulos e castas (sabemos que tem uma questão de mercado e marketing da própria vinícola), e mais concentração na qualidade individual de cada um dos vinhos produzidos, quem sabe focar mais na emblemática tannat da região da Encruzilhada do Sul. 

De lá partimos para o restaurante Maria Valduga, dentro da vinícola Casa Valduga, empreendimento majestoso, quarta maior vinícola do país e um grupo empresarial que é formado por duas vinícolas de espumantes (Domno e Casa Valduga), uma Delicatessen conhecida nacionalmente a Casa Madeira, uma Cervejaria Leopoldina, além de projetos, como a Pousada e um parque local para os moradores e funcionários da região.

Vale demais a visita nesse restaurante que possui paredes de pedra e decoração rústica com detalhes modernos como a adega ao fundo, o almoço é um rodízio típico italiano, galeto, costela de porco e muita massa de qualidade. Brindamos com um Casa Valduga Arte Tradicional e partimos para a visita técnica da vinícola. Provamos durante a visita o Origem, um Cabernet Sauvignon de entrada honesto e sem barrica, além do Leopoldina Merlot, mais consistente e de uma linha acima. Mas o que é mais marcante de toda a visita é conhecer a cave de espumantes, a maior do Brasil com capacidade de estocagem de 300 (trezentas mil) de garrafas. Impressionante o tamanho dessa cave, eles até agora não conseguiram sequer chegar na metade em bons anos de produção para se ter uma idéia de sua dimensão. O passeio passa também pela frente deum parreiral da vinícola e o guia explica para os não iniciados todo o processo de produção e fermentação dos espumantes da Casa Valduga. Conclui na loja de varejo com toda a linha de espumantes da vinícola, interessante notar ainda a produção de duas linhas do mais famoso espumante da Casa o 130, que agora agregaram o Blanc de Blancs e Blanc de Noir. É possível ainda adquirir o top tinto da casa o Luiz Valduga, talvez o rótulo de vinho mais bonito nacional que já pude ver, o trabalho exterior do rótulo é arte pura, é preciso saber um dia se o conteúdo também...!!! 

Vamos fazer um parentese aqui e falar um pouco da Miolo Wine Garden que visitamos no dia anterior no final da tarde. Esse passeio obrigatório no Vale dos Vinhedos, este é um projeto especial desenvolvido pela área de enoturismo da Miolo Group para atendimento de turistas em família e casais, trata de food truck no meio da propriedade da Miolo cercado de parreirais em que a empresa preparou tendas e estrutura de picnic chique com serviço de slow food e carta própria de vinhos. A decoração é de tirar o fôlego, principalmente, porque lembra um jardim estiloso e cercado por videiras, aberto somente em finais de semana e feriados, a dica é ir no fim da tarde e aproveitar o pôr-do-sol.

A comida também é um dos pontos fortes, pois serve pequenos pratos para petiscar realmente, desde empanadas até pizzas de queijo briê com cogumelos, tudo bem feito e harmonizado com venda taças unitárias de seus melhores vinhos.Não desistimos ainda de investir nesse dia, que terminou de forma especial, por esse motivo dedicaremos um post específico para ele, que foi a visitação a vinícola a Cave Geisse, mas isso é outra estória...

Texto de autoria de Serpa Jr.